17 janeiro 2026

ENCARCERAMENTO EM MASSA, BOM PRA QUEM?

A política de detenção em massa implementada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, a partir de 2023 tem lhe rendido invejáveis índices de popularidade. Bukele foi reeleito com os pés nas costas após liderar uma ofensiva contra as gangues do país, apontado no início dos anos 2000 como o país mais violento do planeta - número de homicídios por cada 100 mil habitantes.. Para efetivar a sua cruzada contra a criminalidade no país da América Central, o mandatário construiu o Centro de Confinamento de Terroristas -CECOT - (foto), a sua joia da coroa, considerada a maior unidade prisional das Américas, com capacidade de abrigar 40 mil presos. A prisão salvadorenha é alvo de denúncias de violação de direitos humanos e destino dos imigrantes ilegais deportados pelos Estados Unidos, muitos deles não salvadorenhos. Bukele surfa na popularidade, mas enfrenta também acusações diversas, que vão desde a violação de direitos humanos, prisões em massa ao arrepio da lei, sem processos ou ordens judiciais e até mesmo a suspeita de supostos acordos com as lideranças das gangues. O acordo, especula-se, prevê que os líderes dos grupos criminosos colaborem com a orientação para que sejam reduzidas as taxas de homicídios no país em troca de regalias na prisão, que vão do acesso a telefone celular, passando pela permissão do ingresso de prostitutas. Especialistas em política penitenciária divergem ao tentar entender a relação entre as prisões em massa no país com os elevados índices de popularidade alcançados pelo líder salvadorenho. A política de Bukele daria certo no Brasil? Os especialistas convergem na respostas. Há um consenso de que o Brasil, por suas especificidades, não comportaria uma política como a que foi implantada em El Salvador. O Brasil, ao contrário do país da América Central, tem uma extensão territorial e uma população infinitamente maiores. O tamanho das fações, as diversidades sócioeconômicas e culturais do país são quesitos avaliados pelos especialistas. Outros aspectos levados em conta referem-se às instituições brasileiras, muito mais sedimentadas e fortes do que as de El Salvador. O tamanho, a influência territorial e o poderio bélico dos grupos criminosos são avaliados como pontos que inviabilizariam a adoção de uma política pública similar a adotada pelo governo salvadorenho. A realidade brasileira demonstra uma complexidade infinitamente maior. Segundo dados coletados por organismos de defesa dos direitos humanos com atuação na América Central, El Salvador tem hoje cerca de 2% da sua população - em torno de 6,5 mi de pessoas - encarcerada. *Com informações da BBC News Brasil

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