15 fevereiro 2026

OUTRO PADRÃO

Bairrismos à parte, que o Carnaval de São Paulo evoluiu, não resta dúvidas. As escolas de samba paulistas se profissionalizaram, "importaram" mão de obra qualificada, vindo garimpar no Rio alguns dos mais talentosos profissionais cariocas. Os blocos não ficaram atrás. Se multiplicaram, ganharam as ruas, corações e mentes não somente dos foliões paulistanos. Se Ricardo Nunes, o alcaide paulistano, pode se vangloriar do seu bem sucedido Smart Sampa, o sistema de monitoramento por câmeras que ajuda a prender pessoas com contas a acertar com a justiça, o mesmo não se pode dizer quanto se trata de comparar a expertise que o seu homólogo carioca, Eduardo Paes, acumulou em anos de experiência, quando o assunto é organizar o espaço público para a evolução dos megablocos. A Prefeitura do Rio de Janeiro leva o assunto a sério. Criou até circuito, localizado no Centro do Rio, com o nome da querida e saudosa Preta Gil. Tem até perímetro batizado e demarcado para que tudo corra da melhor forma possível, sem os atropelos e incidentes comuns quando se trata de reunir grandes aglomerações de pessoas. Aqui no Rio, bloco não beija bloco. Consequentemente, mitiga-se os riscos de confusão envolvendo os foliões. Por isso que tem os locais próprios estabelecidos para os megablocos e para os não menos importantes bloquinhos. Porque folião que é folião, é fiel. Aqui no Rio, o cara que acorda cedo e sai de casa antes do galo cantar para ver o Bola Preta, não é o mesmo folião que no dia seguinte estará madrugando no Aterro do Flamengo para dançar ao som do Bangalafumenga. Esquece. No Rio é outro padrão.

LULA NA SAPUCAÍ; RISCO CALCULADO

O primeiro dia do desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio reserva uma estreia cercada de expectativa: como será o desfile da Acadêmicos de Niterói, vencedora da Série Ouro no ano passado, e que decidiu contar na Marquês de Sapucaí a trajetória de vida do presidente Lula, que estará na avenida testemunhando o tributo a si. Não fosse o risco que a decisão de cantar Lula representa, o governo seguramente estaria em peso na Sapucaí. Periga o Planalto estar representado na avenida somente pelo casal Lula e Janja e mais ninguém. A contragosto, os ministros/ deverão assistir ao tributo ao chefe pela tv. Afinal, cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém, ensinavam nossas avós. A opção da agremiação em retratar a saga do presidente pode trazer algum prejuízo à pré-campanha do petista, que já anunciou que irá concorrer, em outubro, ao seu quarto mandato. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou, esta semana, as inócuas tentativas da oposição de proibir o desfile sob o argumento de que a apresentação configuraria propaganda política antecipada. A corte negou o pleito, mas observou que o tribunal estará atento ao desfile da Acadêmicos de Niterói, não descartando a adoção de eventuais sanções dirigidas ao líder petista, caso vislumbre a configuração de alguma violação do Código Eleitoral. A ver.

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